MINDFULNESS AJUDA VOCÊ A TORNA-SE UM LÍDER MELHOR

25/06/2014

Desde a crise financeira de 2008, eu tenho percebido que muitos líderes querem fazer um trabalho melhor, conduzindo seu trabalho de acordo com seus valores pessoais. A crise expôs o erro que é medir o sucesso somente em termos monetários e deixou muitos líderes com um profundo sentimento de mal-estar, e um sentimento de rancor espalhado por todo o mundo, sem falar do sentimento de depressão que até hoje avassala a europa desesperadamente.

 

Como os mercados se levantavam e os bônus de final de ano cresciam, foi tudo muito fácil para celebrar a crescente onda de riqueza sem examinar o processo que o criava. Muitos líderes colocavam seus interesses próprios acima dos interesses de suas organizações, e isso acabara por decepcionar os clientes, funcionários e acionistas que os confiavam. Em meu trabalho de coaching e mindfulness com gerentes, diretores de empresas e funcionários, eu costumo aconselhar o seguinte: "Você sabe que está em apuros quando você começa a julgar a sua auto-estima e aquilo que você tem." No entanto, muitos líderes acabaram por entrar nessa condição, sem perceber. Um estado que eu denomino de 'piloto automático'.

 

Aqui no Brasil, temos muito o que aprender com essa lição do modelo americano e europeu financeiro que se instalou, cresceu e nesse momento vive a sua derrota.

 

Esses acontecimentos me inspiram a refletir sobre o que devemos então fazer como líderes de organizações seja no cargo de chefia máxima ou de supervisores, para garantir nosso desempenho sem pôr em risco nossos funcionários, nossos clientes e nossa organização.

 

Primeiramente, devemos tomar consciência da existência de todo o sistema que nos inserimos, e de que não estamos sozinho. Isso não significa o mesmo que dizer que estamos em uma condição de dependência com os outros e que por isso devemos considerá-los. Não! Isso significa apenas aquilo que é: que não estamos sozinho. E que nossas decisões, motivações e ações influenciam todo o nosso sistema: a curto, médio e longo prazo. Outra coisa importante é desafiar a nós mesmos sobre a nossa definição de sucesso, e o que é realmente importante em nossas vidas.

 

Se não fora o medo do ‘não sucesso’, talvez a ganância que se implantou no sistema financeiro americano e europeu não tivesse o impacto que teve no mercado financeiro mundial. Há de se convir, que o que cada líder pensa de si mesmo e sobre o seu sucesso é que acaba por servir como um alicerce para as suas decisões tomadas dentro de um negócio. Entretanto, a identificação e avaliação do impacto de riscos podem se tornar invisíveis quando os nossos próprios interesses e vontade de auto-sucesso começam a comandar nossos comportamentos.

 

Na Harvard Business School, tem se observado por parte dos professores o desafio que eles lançam aos alunos, a pensar seriamente sobre a sua definição de sucesso e o que é importante em suas vidas. Em vez de ver o sucesso como chegar a uma determinada posição ou alcançar uma determinada meta financeira, esta pioneira e inovadora instituição de ensino sobre negócio, estão incentivando esses futuros líderes a ver o sucesso como uma forma de fazer uma diferença positiva na vida de seus colegas, suas organizações, suas famílias e da sociedade como um todo.

 

Com todas as pressões de curto prazo na sociedade de hoje, especialmente no mundo dos negócios, é muito difícil encontrar o equilíbrio certo entre a alcançar os nossos objetivos de longo prazo e de curto prazo. O aconselhamento tem sido que a maneira como que assumimos nossas maiores responsabilidades de liderança, é que se torna a chave para firmeza e autenticidade. Enfrentar novos desafios com humildade, e equilibrar o sucesso profissional, com medidas mais importantes, mas menos facilmente quantificáveis ​​de sucesso pessoal. No entanto, isso é muito mais fácil dizer e ouvir do que fazer.

 

A prática da liderança consciente e com atenção plena (ou mindfulness) oferece-nos as ferramentas para medir e gerir nossas vida, como nós a vivemos, ensinando-nos a prestar atenção ao momento presente, reconhecendo nossos sentimentos e emoções e mantendo-nos sob controle, especialmente quando nos confrontamos com situações altamente estressantes. Quando estamos consciente (o contrário do estado de piloto-automático), nós estamos alertas de nossa presença e a forma como impactamos outras pessoas e tudo a nossa volta. Por sua vez, isso nos torna capazes de observar e participar em cada momento, reconhecendo as implicações de nossas ações para o longo prazo, e o que nos impede de direcionar-nos para uma vida que nos puxa para longe de nossos valores maiores.

 

O termo prática aqui não é em vão. A fim de ganhar consciência e clareza sobre o momento presente, devemos ter a habilidade de acalmar nossas mentes. Isso é extremamente difícil e leva tempo, compromisso e vontade.

 

Nos últimos anos, estudos médicos têm encontrado evidências de muitos benefícios da meditação, incluindo a proteção contra problemas de saúde de pressão alta e artrite à infertilidade, redução do estresse, melhorando a atenção e processamento sensorial e fisicamente alterar partes do cérebro associada ao aprendizado e memória, regulação emocional, e tomada de perspectiva – habilidades cognitivas estas que são imprescindíveis para os líderes que tentam manter o seu equilíbrio sob pressão constante.

 

Enquanto muitos líderes de grandes multinacionais e empresas, principalmente na Europa e nos Estados Unidos estão adotando a meditação (mais especificamente o método mindfulness de meditação), a meditação não é para todo mundo. Entretanto, o mais importante é dedicar um momento de cada dia aliviar as tensões e pressões psicológicas e físicas que a liderança e o próprio trabalho nos traz, e refletir sobre o que está acontecendo. Além da meditação, eu sei que muitos líderes que tomam tempo para registrar seus acontecimentos diários, ou para uma oração e reflexão ao caminhar, caminhar ou correr também se beneficiam de alguma forma.

 

Independentemente da prática que você escolher, a busca da liderança consciente irá ajudá-lo a alcançar a clareza sobre o que é importante para você e uma compreensão mais profunda do mundo ao seu redor. Mindfulness vai ajudá-lo a limpar as preocupações triviais e desnecessárias sobre coisas sem importância, reanimar a paixão que você tem pelo seu trabalho e sua compaixão pelos outros, e a desenvolver a capacidade de capacitar e motivar as pessoas na sua organização.

 

TEXTO: Vitor Friary

 

Vitor Friary é Diretor do Centro de Mindfulness e Redução de Estresse no Rio de Janeiro e realiza Treinamentos em Redução de Estresse para Empresas.

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