Por que eu faria um curso para aprender a ser mais Gentil comigo mesmo?

24/07/2014

Autor: Vitor Friary

 

Como você normalmente reage ao estresse no trabalho e em casa, e aos desafios dos relacionamentos, ou quaisquer outras dificuldades do dia-a-dia? Você se culpa quando as coisas dão errado ou quando você comete um erro? 

 

"O que há de errado comigo? Porque eu sempre faço uma bagunça em tudo que eu faço? Que desastre!"

 

Você é geralmente rígido e crítico consigo mesmo? 

 

Esta tendência para a auto-narrativa crítica e o auto-julgamento nos sabotam e no final deixam as coisas mais difíceis e acabam levando a gente a perceber a vida como uma batalha difícil contra nós mesmos. Acabamos por minar nosso bem-estar, e olhamos para o difícil com mais frequência, o que reforça a nossa própria profecia de que tudo está fora do lugar.

 

Que tal tentar uma estratégia diferente?

Como seria se nestes momentos estressantes que você passa, você dedicasse um espaço para confortar e se acalmar, pelo simples fato de que você passa por uma dificuldade e se sente mal, tal qual você faria com outras pessoas importantes em sua vida? Isso não seria uma resposta mais inteligente e útil? 

 

A Gentileza a si mesmo, está na base da prática de Mindfulness

Auto-compaixão ou Gentileza a si mesmo, como eu chamo é uma atitude mental corajosa que se levanta e se mostra presente face a hostilidade e ao ato de se ferir, isto é o prejuízo que provocamos a nós mesmos dia após dia através da auto-crítica e do auto-julgamento: o que leva ao perfeccionismo, à atenção excessiva de si mesmo, ao isolamento, ao comer/beber para afogar as mágoas, aos vícios... 

 

Existe algum estudo científico que comprove a importância de se ter auto-compaixão/gentileza?

Sim. Recentemente têm havido muitos estudos publicados neste tema. Inclusive alguns artigos escritos por mim falam sobre isso. Os estudos sugerem que existe uma forte ligação entre a auto compaixão e nosso bem-estar emocional. Quando nos inclinamos a nós mesmos, com gentileza, nos recuperamos mais facilmente da decepção, oferecemos a nós mesmos uma pausa e isso nos permite a admitir a nós mesmos aquilo que nos falta, aquilo que precisamos. Ser 'real´e ver as coisas como elas são, com gentileza, nos permite responder a nós mesmos e aos outros com mais humanidade, bondade e respeito. Afinal, todo mundo comete erros e lida com dificuldades e com alguma dor.

 

Todas as pessoas experimentam uma sensação de vulnerabilidade e perda, e este sentimento de ser "fundamentalmente falho e imcompleto" é comum em nossa sociedade. A minha experiência como facilitador de cursos de Mindfulness me leva a esta conclusão. Em nossa cultura, existem normas que você tem que seguir, como por exemplo ser atraente, ser brilhante, ter sucesso, ser atlético, ser bem-humorado, ser rico... Então nosso sentido básico de bem-estar fica dependente ao estabelecimento destes padrôes... Se você não cumpre as normas, você se percebe como rejeitado e isolado, e toda a sua vida perde a vitalidade. Então, colocamos muita pressão em cima de nós mesmos.

 

A auto-gentileza consciente promove uma maneira mais saudável de se relacionar consigo mesmo

Existe que podemos fazer para resgatar nosso equilíbrio. Podemos aprender a parar de nos torturar com histórias de vergonha, medo e rejeição. Radicalmente começar a viver e a se perceber como pertencendo, em vez de se avaliar como sendo isolado e diferente. Ser aberto e permitir que o amor incondicional e a traquilidade que almejamos se estabeleçam em nós, e descobrir que apesar das dificuldades e das perdas, a nossa situação, seja ela qual for traz em si um contentamento independente de nossas necessidades. Isso requere prática, persistência, e dedicação.

 

TEXTO: Vitor Friary

www.vitorfriary.com

 

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