Janeiro Branco: um beijo para o preconceito

05/01/2018

Conscientizar a população sobre a importância da saúde mental é de extrema importância porque aos poucos vamos reduzindo o preconceito que existe sobre as pessoas que tem um diagnóstico ou que realizam algum tipo de tratamento psiquiátrico. 

 

Existe um preconceito absurdo em torno da questão da saúde mental. Isso é um inibidor para que as pessoas que precisam busquem a ajuda necessária e o tratamento adequado.

 

 

Mais de 15% da população brasileira segundo o IBGE precisa de algum tipo de atendimento em saúde mental. A cada 10 pessoas no mundo, uma sofre de algum distúrbio mental. 

 

Então é muito provável que uma ou mais pessoas dentro de um vagão de trem que você pega no caminho do trabalho tenha uma doença mental. Como nós estamos nos relacionando com isso no dia a dia? A campanha do Janeiro Branco é uma iniciativa maravilhosa que visa modificar as crenças que a população têm acerca de doença mental e levantar a importância dessas reflexões que eu compartilhei acima. Começamos o ano refletindo sobre saúde mental, porque o bem-estar psicológico e emocional de uma pessoa deve ser prioridade e não comodidade. Então nada mais digno do que abrirmos mais este novo ciclo com esse olhar consciente acerca de como estamos cuidando do nosso emocional e das nossas experiências mentais.

 

Dentre os diagnósticos mais severos e debilitantes dos transtornos mentais temos as pessoas que vivem com um diagnóstico de esquizofrenia. Essas pessoas tem uma relação muito prejudicada com a realidade.  A experiência psicótica pode estar presente em um número variado de transtornos mentais, agravando muitas vezes os sintomas da pessoa.  É comum que pessoas que são psicóticas tenham alucinações ou delírios. 

 

As alucinações são experiências sensoriais que ocorrem na ausência de um estímulo real. Por exemplo, uma pessoa que tem uma alucinação auditiva pode ouvir sua mãe gritando com eles quando sua mãe não está por perto. Ou alguém que tenha uma alucinação visual pode ver algo, como uma pessoa na frente deles, que na verdade não está lá.

 

A pessoa que sofre de psicose também pode ter pensamentos contrários à evidência real. Esses pensamentos são conhecidos como delírios. Algumas pessoas com psicose também podem sofrer perda de motivação e isolamento social. Essas experiências podem ser assustadoras. 

O Janeiro Branco nos ensina sobre as mais eficazes das tecnologias: a tecnologia do respeito e a do amor ao próximo.

As pessoas não sabem mas hoje uma pessoa com esquizofrenia pode ter uma qualidade de vida excelente. Temos tecnologia para isso, tanto no tratamento psicofarmacológico quanto no atendimento psicoterápico. Estudos sugerem que a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) por exemplo, que é uma terapia comportamental baseada em mindfulness, pode reduzir o índice de hospitalização de pacientes psicóticos.

 

Nela o paciente aprende a aceitar a sua experiência de alucinação e a se relacionar com ela como menos reatividade, e a ter mais clareza sobre como ter uma vida de significado com as experiências psicológicas e emocionais como elas são. Essas habilidades que ele pode aprender em psicoterapia ajudam a aumentar o funcionamento dessa pessoa e aumentam a sua capacidade de perceber que a experiência mental e a experiência real são fenômenos diferentes mas que podem coexistir em harmonia sem causa grandes danos para o paciente.

 

A campanha do Janeiro Branco nos dá a oportunidade de abandonar os preconceitos e a ver com respeito e seriedade a importância da saúde mental no dia a dia e de reconhecer que existem tecnologias maravilhosas a serviço das pessoas que sofrem com transtornos mentais. Mas acima de tudo o Janeiro Branco nos ensina sobre as mais eficazes das tecnologias: a tecnologia do respeito e a do amor ao próximo.

 

 

 

 

Dr. Vitor Friary é Psicólogo Clínico e Fundador do Centro de Mindfulness no Brasil, Autor de livros, Pesquisador e Treinador de Cursos de Formação.

 

 

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